Diante desse cenário, o governo já se armou para mostrar que não ficará parado e deixou claro que adotará mais medidas para estimular o crescimento, sobretudo a indústria. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que, entre elas, novas ações para a impedir a sobrevalorização do câmbio.
"O setor industrial precisa de alguns estímulos que serão dados", afirmou Mantega. "As medidas não estão prontas, faremos ao longo do ano para estimular o investimento e o setor industrial", afirmou o ministro ao comentar o resultado do PIB de 2011, acrescentando que a economia brasileira crescerá de forma gradativa, atingindo seu ápice no quarto trimestre, quando estará registrando crescimento anualizado de 5%.O ministro argumentou que o cenário externo foi o grande vilão da economia e, para este ano, continuará atento já que a atividade mundial continuará apresentando um desempenho tímido. Até mesmo a China já anunciou uma meta de crescimento menor.Para Mantega, a desaceleração da economia chinesa pode resultar em desvalorização nos preços das commodities agrícolas e minerais. "Se se confirmar uma desaceleração mundial e da China poderemos ter deflação no preço das commodites", afirmou.Para 2012, a previsão oficial do governo é de um crescimento de 4,5%, mas o BC é mais comedido e aponta apenas 3,5%.O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também avalia que a economia vai intensificar o seu ritmo de crescimento ao longo do ano, mas que será "compatível com o equilíbrio interno e externo e consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012."A meta oficial de inflação é de 4,5% ao ano pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.Menos juros
Com o resultado, os agentes econômicos continuam esperando mais cortes na Selic - hoje em 10,5% ao ano - daqui para frente, o primeiro deles na reunião desta quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente.
A expectativa é de um corte de 0,50 ponto percentual, mas há algumas apostas em 0,75 ponto. Desde agosto passado, a autoridade monetária vem reduzindo a taxa básica de juros, movimento que já somou 2 pontos percentuais."O resultado ficou bem aquém no acumulado do ano do que esperava o governo (em torno de 3%). Mas se o governo errou na previsão, fica claro que o Banco Central acertou o movimento de corte de juros", afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.O recuo do crescimento em 2011 veio também pelo esforço do governo entre o final de 2010 até meados de 2011 para esfriar a economia, que estava aquecida e pressionava a inflação. Em dezembro de 2010, o governo anunciou medidas macroprudenciais que desestimularam o consumo e em janeiro do ano passado começou um processo de elevação da Selic que somou 1,75 ponto percentual e a levou a 12,5% ao ano em julho.Com a piora do cenário externo, o governo fez uma volta de 180 graus e passou a estimular a economia novamente voltando a reduzir o juro básico da economia, entre outras medidas.Para políticos, a decisão de esfriar a economia no início de 2011 poderia ter sido menos forte. "Houve um efeito psicológico negativo quando no início do ano (de 2011) o governo começou a fazer cortes e segurar investimentos. Foi uma jogada errada, que espalhou pelo país uma onda negativa, um efeito manada. Todo mundo começou a se retrair", avaliou o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO)."Se este ano continuar no ritmo do ano passado, (o PIB) pode frustrar novamente. A partir de agora vamos ter que dar uma acelerada", acrescentou ele.